Marcio Montezzi • 5 de setembro de 2024

Quais as Obrigações ao Mudar do MEI para Simples Nacional?

Quais as Obrigações ao Mudar do MEI para Simples Nacional?

A transição do MEI para o Simples Nacional implica em novas obrigações fiscais e contábeis que precisam ser atendidas.

Quando o Microempreendedor Individual (MEI) ultrapassa o limite de faturamento de R$ 81 mil anuais ou decide expandir suas atividades, ele deve se enquadrar no regime do Simples Nacional. Essa mudança traz uma série de obrigações adicionais, tanto fiscais quanto contábeis, que o empreendedor deve entender para manter sua empresa regularizada e em conformidade com a legislação. A migração envolve alterações na forma de recolhimento de impostos, na emissão de notas fiscais e na necessidade de contratar um contador para gerenciar as obrigações tributárias mais complexas.



O Simples Nacional é um regime simplificado que unifica vários impostos em um único documento de arrecadação, o DAS (Documento de Arrecadação do Simples Nacional). No entanto, as alíquotas variam conforme o faturamento e a atividade da empresa, o que exige um planejamento tributário mais detalhado.

Emissão de Nota Fiscal no Simples Nacional

Uma das principais mudanças ao migrar do MEI para o Simples Nacional é a obrigatoriedade de emitir nota fiscal para todas as vendas ou prestações de serviços, independentemente do cliente ser pessoa física ou jurídica. No regime MEI, o empreendedor só era obrigado a emitir nota fiscal para pessoas jurídicas, mas no Simples Nacional essa regra se estende a todos os clientes.



Além disso, o processo de emissão de notas fiscais pode variar conforme o estado ou município onde a empresa está localizada, exigindo o uso de softwares de emissão de NF-e (Nota Fiscal Eletrônica) ou NFS-e (Nota Fiscal de Serviço Eletrônica). Esse controle rigoroso da emissão de notas fiscais é crucial, pois as informações servem de base para o cálculo dos impostos a serem recolhidos mensalmente.

Principais alterações na emissão de nota fiscal:

  1. Obrigatoriedade de emitir notas para todos os clientes, incluindo pessoas físicas.
  2. Uso de sistemas eletrônicos de emissão de nota fiscal.
  3. Controle detalhado das operações para o correto recolhimento de impostos.

Aumento na Carga Tributária

Ao migrar para o Simples Nacional, a carga tributária tende a aumentar em relação ao MEI, uma vez que as alíquotas aplicáveis ao faturamento são maiores. O MEI paga um valor fixo mensal que varia entre R$ 60,00 e R$ 66,00, dependendo da atividade, e já inclui todos os impostos. No Simples Nacional, os impostos são calculados com base na receita bruta da empresa e podem variar de acordo com o anexo em que a empresa se enquadra.



No Simples Nacional, os impostos pagos incluem IRPJ, CSLL, PIS, COFINS, ICMS, IPI e ISS, além da contribuição previdenciária. As alíquotas começam em torno de 4% para empresas com faturamento mais baixo e podem chegar a até 33%, dependendo do segmento de atuação e da faixa de faturamento. Por isso, é essencial que o empresário tenha um bom controle do seu fluxo de caixa e acompanhe mensalmente seus resultados financeiros.

Diferenças na carga tributária entre MEI e Simples Nacional:

  1. MEI: valor fixo mensal com impostos já inclusos.
  2. Simples Nacional: alíquota progressiva sobre o faturamento.
  3. Inclusão de vários tributos em um único documento de arrecadação (DAS).

Necessidade de Contratação de Contador para transferir empresa para outro Estado

Outra mudança significativa ao passar do MEI para o Simples Nacional é a necessidade de contratar um contador. Enquanto o MEI tem dispensa da escrituração contábil formal, no Simples Nacional a contabilidade torna-se obrigatória para o controle de receitas, despesas, ativos e passivos da empresa. O contador é o profissional responsável por preparar o balanço patrimonial, realizar a apuração de impostos e garantir que a empresa esteja em dia com suas obrigações fiscais.



Além disso, o contador será responsável pela entrega das obrigações acessórias, como o PGDAS-D (Programa Gerador do Documento de Arrecadação do Simples Nacional – Declaratório) e a DEFIS (Declaração de Informações Socioeconômicas e Fiscais). Essas declarações são fundamentais para manter a empresa regularizada perante a Receita Federal.

Obrigações contábeis após a migração:

  1. Contratação obrigatória de contador.
  2. Elaboração de balanço patrimonial e demonstração de resultados.
  3. Entrega das obrigações acessórias, como PGDAS-D e DEFIS.

Obrigações Trabalhistas e Previdenciárias

Ao migrar do MEI para o Simples Nacional, as obrigações trabalhistas e previdenciárias também se tornam mais rigorosas. No MEI, é permitido contratar até um funcionário, com recolhimento simplificado de INSS. Já no Simples Nacional, o número de funcionários é ilimitado, mas isso exige a adesão a todas as normas da Consolidação das Leis do Trabalho (CLT), incluindo o registro formal dos empregados, pagamento de salários conforme a convenção coletiva, e o recolhimento de encargos trabalhistas e previdenciários.



A empresa deverá realizar o recolhimento mensal do FGTS, INSS e outros encargos sobre a folha de pagamento. Além disso, é necessário registrar as férias, 13º salário e demais benefícios trabalhistas. O não cumprimento dessas obrigações pode gerar multas e processos trabalhistas, por isso é fundamental contar com a assessoria de um contador para gerenciar essas demandas.

Encargos trabalhistas no Simples Nacional:

  1. Recolhimento de INSS e FGTS sobre a folha de pagamento.
  2. Registro formal dos empregados e cumprimento das normas da CLT.
  3. Controle de férias, 13º salário e outros benefícios.

Como Planejar a Transição do MEI para o Simples Nacional?

A transição do MEI para o Simples Nacional deve ser planejada com antecedência para evitar surpresas fiscais e garantir que a empresa esteja preparada para as novas obrigações. O primeiro passo é verificar se a empresa realmente ultrapassou o limite de faturamento ou se há necessidade de mudar devido à expansão do negócio. Em seguida, é importante calcular o impacto da nova carga tributária e das despesas adicionais com contabilidade e encargos trabalhistas.



Outro ponto crucial é manter um bom controle financeiro, acompanhando o fluxo de caixa e revisando regularmente as receitas e despesas. Isso ajudará o empresário a garantir que a transição seja realizada de forma eficiente, sem comprometer a saúde financeira da empresa.

Passos para planejar a migração do MEI para o Simples Nacional:

  1. Verificar o faturamento e as necessidades da empresa.
  2. Calcular o impacto da nova carga tributária.
  3. Organizar o controle financeiro e fluxo de caixa.
  4. Contar com a orientação de um contador para auxiliar no processo.

Conclusão

A mudança do MEI para o Simples Nacional envolve uma série de novas obrigações fiscais, contábeis e trabalhistas que exigem atenção e planejamento. Desde a obrigatoriedade de emitir nota fiscal para todos os clientes até o aumento da carga tributária e a contratação de um contador, o empresário deve estar preparado para lidar com essas mudanças. Planejar a transição de forma estratégica e contar com a assessoria de um contador especializado é fundamental para que a empresa continue crescendo de forma sustentável e em conformidade com a legislação.

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